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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Fim do Mercado Central

Voltei depois de um bom tempo, mas por pouco tempo. Mas preciso noticiar isso:

"Mercado Central : um dos mais populares pontos de encontro de Belo Horizonte, inaugurado em 1929. No mercado são comercializados diversos produtos, de hortifrutigranjeiros a artesanato. Cheiros, sabores e cores se misturam num grande mosaico, revelando muito mais que um comércio. As crendices populares, das ervas e raízes medicinais, se confundem com a conversa de botequim entre amigos, regada por um cerveja bem gelada. O Mercado Central é um retrato vivo da alma popular mineira. Abriga mais de 400 lojas."

A partir do mês que vem será instalada a loja Ricardo Eletro aonde funcionava o Supermercado Aymoré.

Sim, as coisas têm que progredir (ir pra frente), mas não regredir. O que faz a diferença do Mercado é a "informalidade" de suas lojinhas. É onde há o verdadeiro encontro entre as pessoas. E a rede de eletrodomésticos parece-me que deturpou um pouco o princípio do Mercado Central.

E o pior. Ninguém (CREA, IAB e cia.) se manifestou.

4 comentários:

Claudia Araujo disse...

Frequento o Mercado Central desde o fim dos anos 60...

(minha vó já me contava como ele tinha sido diferente antes disso - irreconhecivel... nem telhado tinha.)

Morei ali ao lado por mais de trinta anos...
comprei de tudo ...
..conheci frutas de todas as procedências
e temperos do mundo todo.

Quando bem criancinha, pouco maior que os sacos que ficavam no chão do armazém, eu não perdia a oportunidade de mergulhar
o braço todo até o ombro nas diversas opções "à granel "...
Adorava o barulho daquela concha de metal enchendo de feijão o saquinho de papel marrom....
Muito bom lembrar do tempo anterior à antipática sacolinha plástica!

O "enfeiamento " que vi acontecer no tradicional - ou nem tanto -
Mercado aconteceu foi há muito tempo ....
mais nos anos 80 e 90 :

Loja de mega-mass, produto pra cabelo, drogaria, caixa eletronico, CDs, bibelôs exotericos: bruxinha na vassoura, duende e fada.....,

E agora esse drama todo ?
por causa do RicardoEletro.....
e o tal terrivel poder do dinheiro-que-sempre-vence ....

Por falar em dinheiro,
as frutas, verduras e legumes vendidas
ali no Mercado
sempre foram as melhores..
e as mais caras da cidade !

Não fosse muito dinheiro...
não haveria ainda o piso, o estacionamento,
e os ratos correriam serelepes na frente da gente, em pleno dia...
como nos anos setenta....
A sujeira do chão preto e gosmento com tomate amassagado é inesquecível!

Mesmo assim tenho saudade do passado sem loja de produto enlatado,
engarrafado, plastificado.....
Pura nostalgia ......

se eu fosse o Caetano Veloso na Tropicalia, cantaria
"da grana que ergue e destrói coisas belas"...

como não sou, pego minha grana e vou no Mercado comprar uma TV de 60 polegadas LCD stereo digital.
E saborear uma fatia de abacaxi no palito.

Fernando L Lara disse...

tai Claudia, gostei muito do seu comentario. Acho triste que as mesmas pessoas que reclamam do fechamento so supermercado Aymore fazem as compras do mes no Carrefour do shopping ja ha muitos anos. Infelizmente o mercado nao se sustenta economicamente sendo apenas um lugar pitoresco para levar os turistas para comer um tira-gosto.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão revistacrise@gmail.com disse...

Prezados Cláudia Araújo e Fernando Lara,
Obrigado pelos comentários e desculpem-me o atraso.
Realmente encontraremos argumentos sólidos para cada ponto de vista.
Mas o fato é que o Mercado atrai uma diversidade de público. Nele encontramos pessoas de todas as raças, credo e classes sociais que convivem harmonicamente.
Independente de você consumir algum produto vendido no Mercado, o lugar em si, pela sua singularidade e particularidade, é convidativo.
O Mercado Central pode se transformar em mais um shopping, caso lojas assim inatalem no local. E, como sabemos, o shopping é frequentado por um grupo pequeno de pessoas.
Abraços,
Marcão.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão revistacrise@gmail.com disse...

Complementando o comentário anterior, em 2007, quando era aluno do segundo período de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário UNA, fizemos um projeto de apropriação das lajes das lojas que previa a criação de um museu para contar a história do Mercado, um espaço de exposição, um lugar para apresentação musical e teatral e um pequeno auditório.
E o Mercado economicamente vai bem.
Quando fizemos a pesquisa para o projeto acima, fomos informados que:
1 - Os lojistas do Mercado e a administração oferecem cerca de 2.500 postos de empregos.
2 - Só a administração fatura R$ 200 mil mensais. Quando perguntamos sobre o faturamento das lojas, o funcionário brincou: "Isso não sabemos, mas ninguém atrasa com o pagamento".
3 - Mensalmente 70 mil veículos estacionam no Mercado.
4 - Passam pelo Mercado Central cerca de 15 mil pessoas por dia, sendo que nos finais de semana e feriados esse número sobe para 20 mil pessoas por dia.
E o Supermercado Aymoré (nunca pretendeu concorrer com as redes. Lá vendia-se arroz e feijão a granel e café em grãos, por exemplo) fechou porque os herdeiros dos donos (estão com mais de 85 anos) não quiseram dar continuidade ao negócio.
E muitos produtos só encontram-se no Mercado.