Pesquisar no blog

sábado, 29 de agosto de 2009

"O legado de Áecio em concreto". Quem vai querer?


Na Revista Veja desta semana (02/09/2009), há uma reportagem sobre o Centro Administrativo de Minas Gerais.

A reportagem detalha, em resumo, a obra e compara Aécio Neves com JK, afirmando que Aécio, assim como JK, "mudou o eixo da capital mineira para o norte".

Afirma, também, que o governo mineiro economizará 85 milhões de Reais. Mas serão gastos mais de um bilhão e duzentos mil Reais para construí-lo, segundo informa a Revista Época.

Sem entrar nessas questões políticas, o projeto de Oscar Niemeyer para o Centro Administrativo não respeitou questões básicas de insolação. E para piorar, projetou prédios com pele de vidro. O ar condicionado será usado sempre. Sem mencionar outros probleminhas como falta de especificações e detalhamento.

Se era necessário construir o Centro Administrativo, o governo mineiro perdeu a oportunidade de fazer um concurso internacional.

Sem mencionar, é claro, que há décadas o metrô não sai da prancheta. E por falta de investimentos do governo federal, o metrô continuará no papel até 2014, pelo menos.

Por falar em metrô, poucos ou nenhum governo investe em mobilidade urbana, ou seja, em opções e facilidade para locomover na cidade. Recentemente saiu a notícia de que a Prefeitura investirá em estacionamentos subterrâneos.

Para muitos urbanistas e especialistas em trânsito, "é preciso ter muita cautela ao se ofertar mais infraestrutura para o uso do automóvel em um grande centro urbano, uma vez que o modelo atual de deslocamentos, focado no uso do automóvel particular, com baixíssima taxa de ocupação (menor que 1,5 pessoas por veículo), é um dos principais fatores para atual saturação do trânsito" (Frederico Rodrigues). Espera-se que para a Copa 2014 melhore um pouco a situação do trânsito (precisa de uma Copa do Mundo para melhorar as coisas?).

Ou seja, transferir mais de 20.000 pessoas que trabalham na área central de Belo Horizonte para percorrer algumas dezenas de quilômetros para o limite de Belo Horizonte com a cidade de Vespasiano, nas condições atuais de locomoção mencionadas acima, não me parece racional. Sem mencionar as milhares de pessoas que irão ao Centro Administrativo para outras finalidades e as dezenas de empresas que estão crescendo na mesma direção que impactarão ainda mais o deslocamento.

Além disso, existem muitos edifícios desocupados, inutilizados, abandonados (públicos e privados) que os governos poderiam utilizá-los aplicando as diretrizes do "Estatuto das Cidades" (lei 10.257 de 10 de julho de 2001) no que diz respeito a função social da propriedade.

Muito provavelmente seria mais viável, do ponto de vista econômico, social e ambiental, se reformassem e requalificassem esses imóveis desocupados, inutilizados e abandonados do que construir um novo Centro Administrativo. Não se cogitou isso. O Governo mineiro descartou essa hipótese sem analisá-la.

Enfim, do ponto de vista arquitetônico e urbanístico, o Centro Administrativo tem tudo para se tornar um legado que ninguém terá inveja.

2 comentários:

felipe botelho disse...

oi marco,

infelizmente não vou a Minas gerais há um bom tempo, mas fiquei chocado ao saber disso tudo.
Lamentável ver como a mente dos políticos é completamente retrógrada.

Em matéria de arquitetura, a sensação que tenho é que estamos andando para trás.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão disse...

Felipe,

Como vai?

Pois é. Andando a passos longos. Mas dá tempo de mudar.

Abraços.