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domingo, 4 de outubro de 2009

Uma Combinação Revolucionária: Cérebro + Lápis

Por
Paulo de Loyola

Uma antiga história muito contada pelos especialistas em gestão, eficiência, administração ou qualquer outra coisa do tipo — hoje em dia existe especialista para tudo — é a dos estadunidenses que gastaram uma fortuna para desenvolver uma caneta que funcionasse em microgravidade, durante os vôos espaciais enquanto os russos simplesmente levaram um lápis. Normalmente usa–se essa história para ilustrar a idéia de que soluções simples e óbvias costumam ser mais baratas, mais eficientes e tal. Eu a coloquei aqui por dois motivos. O primeiro foi tirar uma onda com os especialistas em [coloque aqui sua especialidade favorita]. A segunda foi para nos lembrar, principalmente aos mais novos, que ainda se pode usar essa coisa de madeira e grafite chamada lápis, mesmo no mundo informatizado de hoje.

“Putz!„, grita o garotão de tatuagens e piercings, “Alguém ainda usa isso? Deve ser um tiozinho que não saca de computador! Rá, rá, rá!„ (Ou algo parecido, no linguajar juvenil atual.)

Bem, moderninhos e moderninhas de plantão, eu tenho uma novidade para vocês… Sabiam que já se fazia design muito antes de inventarem o computador? Pois é, eu sei que isso pode parecer chocante para muita gente para a Internet não foi criada junto com os Himalaias nem o Adobe Illustrator precedeu a linguagem falada. Houve uma época em que composição era feita desenhando–se em uma folha de papel A3 e escrevendo–se com uso de réguas de tipos, quando o lápis e o guache, a tesoura e a cola (não o “control–v„!) eram ferramentas indispensáveis. E, por incrível que pareça, não estou falando do século XIX e sim de 1990.

E sabe o que se fazia naquela época? Absolutamente tudo o que se faz hoje em termos de design. Bem, podemos descartar o webdesign, é claro, uma vez que em 90 a Web mal utilizava imagens. Isso porque já se usava uma ferramenta que é essencial ao designer. É um hardware poderoso que muitas vezes esquecemos de utilizar, ainda que esteja sempre ali à nossa disposição. Chama-se cérebro.

É, isso mesmo. Os bons e velhos miolos. Aquilo que o Espantalho foi buscar na Cidade das Esmeraldas. Todo projeto de design deveria começar com o uso do cérebro. Infelizmente, com a imensa facilidade que as ferramentas de hoje proporcionam muitas vezes esquecemos de utilizá–lo. Abrimos logo nosso pacote gráfico favorito, vamos à Internet atrás de um tutorial porreta que faça algo parecido com o objetivo da proposta, damos umas pinceladas aqui e ali com uma das ferramentas prontas e… Voilá! Em menos de hora e meia temos pronta uma peça de design que os dinossauros levariam dias e dias para montar. Viu como somos evoluídos, práticos e cheios de style?

Não, não vi não. O que eu vejo são um monte de trabalhos que parecem ter saído da mesma forminha da moda e que daqui a dois dias estarão completamente ultrapassados — bem de acordo, aliás, com a efemeridade atual. E esse é o preço que pagamos pelas facilidades que as ferramentas atuais proporcionam. O cliente parte do princípio que o computador é que faz tudo então tudo pode ser para ontem. O designer compra a idéia de que o computador faz tudo e segue a moda e os tutoriais, entregando um trabalho corrido e insosso. O cliente fica satisfeito e paga, o designer fica satisfeito e recebe e todos ficam felizes e rasos.

Mas, que tal tentarmos uma coisa diferente? Da próxima vez que pegar um trabalho, que tal desligar o computador antes de começar o design? Isso mesmo, seja ousado! Desligue o computador!

Tire o pó do bom e velho lápis, pegue uma folha A3 (vende em um lugar chamado “papelaria„) para poder ter bastante espaço para criar, e comece a usar seu cérebro. Sem depender das idéias alheias, pense no projeto. Procure referências em outros lugares que não o Google, onde seus colegas e concorrentes estão procurando as mesmas referências. Sem depender de ferramentas prontas ou tutoriais deixe a imaginação fluir e as idéias originais surgirem. Rabisque, sinta as dificuldades e utilize–as a seu favor pois ao vencê–las você estará criando novas soluções. E ponha aquela folha de lado para trabalhar outra idéia. E outra. E outra. Isso mesmo, quantidade é qualidade; deixe de ser preguiçoso.

Então, quando você já tiver uma pilha de idéias ao seu lado, aí sim ligue sua ferramenta de microcircuitos, vá no seu pacote gráfico e reproduza com as ferramentas ali — que no fim das contas são apenas metáforas para as que você acabou de usar na vida real — reproduza o que você traçou livremente, o famoso rascunho virando arte–final. Veja como assim é possível se criar para muito além dos modismos e layouts pré–fabricados.

E se alguém falar mal… Ora, diga que você está na moda, sendo retrô ou vintage.

Dica da lista.

2 comentários:

Brasil Empreende disse...

Ola visitei seu blog e gostei muito e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem: “Brasil: o “País do Momento", e do outro lado…” Estamos realizando, também, enquetes e gostaríamos de contar com o voto de vocês.
Sua visita será um grande prazer para nós.
Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
Atenciosamente,
Sebastião Santos.

Ricardo Rossin disse...

Muito legal Marcão, adorei o texto...