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domingo, 1 de outubro de 2006

001 - Editorial

"Destranquemos as portas. Escancaremos as janelas. Vasculhemos os tetos, os vãos, as frinchas, as luras. Não poupemos o ácido fênico, a creolina, o formol. Renovemos o ar. Enxotemos os bichos. Sacudamos o mofo. Acabemos com o bafio. Introduzamos a luz. Chamemos a higiene." Rui Barbosa

Podem chamar de clichê ou estereotipo. Mas utilizarei a metáfora: acaba de nascer a Revista Crise [!]. E se acaba de nascer, poderá, um dia, morrer.

A idéia da Revista Crise[!] apareceu da necessidade de discutir fora das salas de aula temas relevantes ao ensino e a aplicação da Arquitetura e Urbanismo contemporâneo.

Esse espaço é aberto para quem quer contribuir, discordando ou não dos assuntos, para uma Arquitetura e Urbanismo mais democrático.

Fernando Serapião já chamou-nos a atenção de que “uma nova categoria profissional, os chamados"arquitetos do mercado", é responsável por uma parceria perversa para a cidade e a profissão: aprovando dezenas de projetos num mesmo ano, pasteurizam a massa urbana com trabalhos sem qualidade arquitetônica.”

Como a Arquitetura e o Urbanismo permeiam, tangenciam todas as áreas do conhecimento, todo cuidado é pouco. Não que o conhecimento seja estanque, mas para trabalhar com um mobiliário, com uma casa, um edifício, um grande empreendimento, o arquiteto deve ter uma noção geral. Por exemplo, para projetar uma cadeira, o arquiteto deve procurar saber quem irá utilizá-la, onde ela ficará, qual material a cadeira será feita. Só para ficarmos no mínimo.

Percebemos, também, que alguns querem separar a Arquitetura da Arte, outros aglutinar e mais um tanto extinguir uma delas. Faz parte da contemporaneidade.

Contemporaneidade essa que adjetiva tudo que é novo, tudo que é recente, tudo que é diferente. Mas não quer dizer que o que é produzido na época contemporânea seja bom ou não.

Aliás, estamos vivendo numa transição de épocas que já dura muito tempo e que as discussões ainda estão dentro das paredes e jardins das universidades. E que mestres e discípulos encontram dificuldades de concretizar na prática as maravilhas propagadas em sala de aula e escritas com fervor nos livros. Há um descompasso entre teoria e prática, pois. Uma pena!

E na Arquitetura e Urbanismo não é diferente. Basta que olhemos as cidades. Quando há participação dos cidadãos nas obras de infra-estrutura, é mínima e despreparada. Estamos vivendo em cidadelas, cada um na sua, protegido por muros, pelos vidros fumes dos carros. As cidades não enfatizam uma comunidade de valores e interesses partilhados, não tentam criar nenhuma sensação de pertencimento a uma comunidade e não facilitam a interação.

Os espaços públicos estão minguados, o pedestre alijado da cidade que está sendo tomada por veículos (não que devemos abandonar nossos carros na garagem, mas que possamos ter opções de locomover nas cidades) e as áreas verdes estão sumindo aos poucos.

Por conta disso e outros fatores, eleições rolando, cremos que a democracia e a cidadania, - que não são sinônimos - se resumem ao fato de que as autoridades são eleitas por meio de eleições livres e justas, o sufrágio é inclusivo e universal e os cidadãos têm o direito de se candidatar aos cargos eletivos. A apatia é geral. Há letargia no ar. Escândalos pipocam, guerras estouram, as coisas de modo geral acontecem e o silêncio é mortal. Ninguém sabe de nada e faz questão de não saber.

Então, tá na hora – ou passando da hora – de metermos o pé nessa atual época contemporânea, batizá-la (talvez época egoísta?) e iniciarmos outra época contemporânea. Vamos mudar o status quo, a situação. Vamos instaurar o caos, detonar a crise.

Esse é o espírito da Revista Crise [!]. Mas não se assuste, porque mesmo que na mente das pessoas, a palavra crise possua uma conotação negativa; sempre associada a destruição e desordem, ela contém dentro de si o embrião, uma oportunidade de criar uma nova realidade, de fazer tudo de uma forma nova; já que a crise destrói a antiga ordem, abrindo espaço para que uma nova ordem surja. É da emergência de uma nova realidade que surge após uma crise.

Espero que sua contribuição, concordando ou não, seja produtiva e que possamos trombar neste mundo virtual.

Vale lembrar que o professor e arquiteto urbanista Alexandre "Tande" Campos insentivou-me a publicar a "Revista" na internet.

Abraços,

Marco Antonio Borges Netto - Editor

3 comentários:

camillo disse...

CRISE !
Diria que o melhor momento é quando chegamos a ter uma crise, porque ai temos só duas saidas, ou mudamos tudo ou ela faz com que mudemos tudo; parece igual, mas é. A crise que a Arquitetura esta, vai nos levar a mudanças fantasticas, a transformação é inevitavel, e já que estamos baldeados de grandes cabeças, ou melhor os que deixaram a crise vir, que acho ótimo e os que estão entrando na crise.O crescimento sera inexoravel, vai crescer... Diria a crise é nosso veiculo para o novo, o mutável o gostoso.Nào vamos brigar com a crise, vamos ouvi-la, pois com certeza ela tem muito que nos falar.SIM A CRISE. PS. Ótimo Marcão.

Andre Luciano disse...

É isso ai Mrcão, concordo em gênero, número e grau. Digo sim a "crise"!!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com disse...

Valeu, André.
Bem vindo!