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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jaime Lerner, Adriano Mattos e Guimarães

Essa semana tive o prazer de participar de duas palestras excelentes: Jaime Lerner e Adriano Mattos. Ambas em Belo Horizonte, a primeira, ocorreu na Casa Fiat de Cultura e a segunda no Espaço OI Futuro.

Jaime Lerner abordou, principalmente, a questão da mobilidade nas cidades, a questão da sustentabilidade e discorreu sobre acupuntura urbana.

Adriano Mattos falou sobre memória, tecnologia da informação e arquitetura mínima.

Não pretendo resumir as palestras, mas chamar a atenção para um aspecto não intencional mas em comum às duas falas.

Lerner diz que faz acupuntura urbana. Provocando as pessoas a fazerem planejamento urbano, a entenderem a cidade, o espaço onde vivem. E, para isso, é necessário algumas ações pontuais, uma boa ação local.

Um exemplo para isso é a questão dos parques. Para ele, é mais vantagem, em todos os aspectos salvar um bosque do que projetar um parque novo. E esse bosque, para ser salvo, precisa do envolvimento da comunidade do entorno. E essa ação foi bem sucedida em Curitiba. De meio metro quadrados de área verde por habitante, depois dessa ação, Curitiba passou a ter mais de 50 metros quadrados de área verde por habitante. E a população em franco crescimento.

Outro exemplo é a revitalização e a reutilização de uma casa antiga e abandonada, mas que os moradores do bairro se identificam.

Ou seja, um equipamento singelo, mas de utilidade para os moradores locais, pode se constituir em fator de identidade do bairro e estimular empreendimentos ao seu redor.

E em outra parte da palestra, mostrou outros exemplos de sucesso implantados em Curitiba na sua gestão como prefeito que a fizeram uma das melhores cidades para se viver no mundo.

Saí da palestra maravilhado, mas lamentando o fato de que hoje em dia grandes ideias como as de Lerner são quase impossíveis de sair do papel. A menos que o governante seja um arquiteto urbanista ou um urbanista visionário e arrojado. Pelo menos em Belo Horizonte é assim.

E no dia seguinte fui à outra palestra.

Adriano Mattos, fala da arquitetura mínima. Arquitetura mínima é um exercício que aumenta a eficiência e a facilidade de encontrar a coisa certa na hora desejada. Ou simplesmente uma pequena intervenção que ajuda a pessoa a selocomover dentro de sua casa.

E Adriano utiliza essa arquitetura mínima através da memória das pessoas. Por exemplo, ele cria mobiliários que se identificam com o usuário.

Outro exemplo bacana dele foi o projeto de reforma de uma escada de um morador de uma favela de Belo Horizonte.

O morador está em uma idade onde a mobilidade é prejudicada e a escada não obedece às normas de uma boa escada. Contudo, essa escada é de concreto puro que impossibilitou a demolição dela. Então, para reformá-la, Adriano analisou como as pessoas que residem na casa sobem e descem a escada, onde elas apoiam as mãos, quais degraus elas evitam, onde que elas olham. e a partir desse estudoo, pratica-se o projeto de reforma.

E ao final uma palesta juntou0se a outra e percebi que não precisamos depender do famigerado Poder Público (assim como Damásio Siqueiras é ou não é, segundo Guimarães Rosa), basta que pratiquemos a acupuntura urbana e a arquitetura mínima para melhorar as cidades e a vida.

2 comentários:

Henrique Gonçalves disse...

Putz cara, palestras assim aqui em Juiz de Fora são raríssimas, ainda mais duas em apenas uma semana. Concordo com a ideologia do Lerner, mas as vezes me preocupa o fato da população ficar indignada quando cortam uma árvore da esquina que está enxendo o saco e atrapalhando tudo, mas não se preocupam com os "N" campos de futebol desmatados por dia na Amazônia.
Ah, obrigado pela refêrencia no post do L'homme de Rio!
Até mais!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com disse...

Pois é, Henrique. São os paradoxos da vida. Mas a solução está nas crianças. Sem demagogia.
Sobre o video, achei mais uns 4 trechos desse filme.
Valeu e até mais.