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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cidade da Música - polêmicas e boa arquitetura


É. Não tem jeito. Um pausa só se for amarrado.

O Alencastro, em seu blog, comentando sobre a polêmica da Cidade da Música no Rio de Janeiro, nos provoca perguntando se a arquitetura de Portzamparc é a redentora de toda polêmica.

Segerido pelo mesmo Alencastro, li o bom artigo do Fernando Serapião sobre o obra de Christian de Portzamparc.

Serapião afirma que mesmo com todos os ataques e denúncias, a Cidade da Música é a obra pública mais relevante desde Brasília. Quem quiser saber mais sobre a obra, há um texto no Vitruvius também.

Por óbvio, tanto Alencastro quanto Serapião não são a favor da impunidade e da corrupção. E duvido muito que Portzamparc aceitaria eventuais vantagens para ser o autor da obra.

Então, tendo em vista que ainda não conheço a obra e li pouco a seu respeito, respondo a provocação acima. Um assunto tão importante quanto.

A corrupção e a impunidade estão tão incrustadas na sociedade brasileira que é difícil não por em cheque obras públicas no Brasil. A Cidade da Música não é exceção.

Contudo, a boa arquitetura, a qualidade do edifício e a tecnologia empregada na construção, ao contrário da legítima defesa, não exclui a ilicitude. Havendo ilegalidades nos gastos públicos, os responsáveis deverão ser punidos.

Há um pensamento no Brasil do "rouba mas faz" que deve mudar. Reitero: a obra que soluciona vários problemas urbanos, por exemplo, não exclui o prefeito e demais agentes públicos de uma condenação por improbidade administrativa. E o resultado das urnas tão pouco substitui o Judiciário.

Fora isso, vamos prestigiar a obra, analisá-la, usufruí-la e apoiar a investigação de possíveis ilegalidades e a condenação dos responsáveis.

2 comentários:

andressamartinez disse...

Olá, Marco,
concordo plenamente na sua colocação sobre essa corrupção generalizada. É importante destacar que fato semelhante aconteceu na implantação da Vila Pan-Americana, no Rio de Janeiro.

No entanto, como arquiteta, carioca e residente da Barra da Tijuca, assisti todas as etapas da construção da Cidade da Música e gostaria de adicionar mais três colocações sobre esse edifício:
01- Implantação: a escolha do terreno não foi adequada. A área conhecida como "o cebolão" é formada pelo cruzamento de duas importantes avenidas, em meio a um anel viário de alta velocidade. Além da dificuldade de acesso aos pedestres,a entrada e saída de veículos também prejudica o tráfico da área. Destaco também a desconexão com a rodoviária existente, acesso importante ao edifício.
02- Visuais: O edifício está localizado no principal acesso à barra da tijuca e bloqueia a visão em direção ao mar e aos edifícios entre a lagoa e a praia. O terreno não comporta, também, a escala (em dimensões) do empreendimento.
Para complementar, creio que seja importante avaliar a manutenção do edifício e a sua utilização efetiva pela comunidade. Espero, sinceramente, que a Cidade da Música seja utilizada pela população do Rio de Janeiro, como local de difusão e valorização das artes (à semelhança do exemplar em Paris) e não termine "alugada" por um banco ou grupo empresarial específico, fechada para a cidade, como ocorreu com parte das instalações da vila pan-americana.
Um abraço e até a próxima!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão disse...

E aí, Andressa!

Interessante sua colocação. Quem não está o Rio e não ver a obra ao vivo, não percebe esses detalhes.

Como destruir e reconstruir é uma tarefa complexa e possivelmente desnecessária, espero que os problemas de acessibilidade ao edifício sejam melhorados. Tanto em relação ao pedestre quanto ao veículo; que as pessoas, turistas e moradores, possam usufruir do edifício na íntegra. Uma pena que a obra obstruiu a vista do mar.

Espero, também, que CREA, IAB, MP, OAB e demais setores da sociedade mobilizem para que a Cidade da Música não torne um elefante branco.

Abraços e até mais,

Marco Antonio.