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segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Flâneur (III)

E nem no mirante encontramos George Orwell e Charles Baudelaire para um papo. Gostaria muito de saber se o flâneur está sumindo por conta da vigilância ou a vigilância aumentou por causa do flâneur.

Do mirante ou nas ruas não consigo contemplar muito menos olhar peripateticamente.

Cineastas, artistas, filósofos, gregos e troianos, arquitetos, sociólogos, antropólogos, ambientalistas, situacionistas, modernistas, góticos, concretistas, desconcretistas, xiitas e sunitas, confucionistas, cristãos, pagãos, ateus, agnósticos, políticos e eleitores, cidadãos e governantes, homens, mulheres, crianças mamando e andando, ancião, xamã, irmão e irmã: s
aiam dos enclaves virtuais e reais. Respirem, ainda que poluído, o ar das ruas. Conversem entre si, dialoguem. Transformem, mudem, se esforcem.

A cidade e as ruas existem. São reais e tocáveis. Dane-se os paradigmas. Que venham novos paradigmas!

...flamengo flanar flanco flanela flanquear flauta flautear flecha ... miradouro miragem miramar mirante mirar miriade mirifica mirificamente ...

... flanantes flanantia flanantias flanar flanara flanarea flanate flanation ... mirage mirages miramento miramentos mirante mirantes mirantia mirantias ...

... maçante, mandante, marcante, marchante, minguante, mirante, montante, ... fintar, firmar, fisgar, fitar, fixar, flagrar, flambar, flanar, flechar, ...

2 comentários:

flavio agostini disse...

Minha opinião é que ele sumiu por ser um personagem do Século XIX!
Um abraço, flávio.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@gmail.com disse...

Será mesmo, Flávio?

De fato o flaneur surgiu no século XIX e segundo Walter Benjamin, (que mostrou como a cidade
criou, como tipo, o flâneur) o flaneur é um pesquisador romântico e fascinado pela cultura urbana. Ele é uma forma de ler e produzir a cidade.

Comparando com o zapping, o "flâneur" pode ser considerado um usuário impaciente do controle remoto.

"Relacionando com a Web, o internauta seria o tipo de leitor "movente fragmentado" onde há uma disposição para aprender com a própria experiência, assim como o "flâneur"".

Sem falar nos situasionistas que incentivavam a deriva como uma técnica do andar sem rumo nas grandes metrópoles, o experimentar a cidade.

E Paulo Barreto, no século XX, que "embora vivendo num Rio que, sem dúvida, mantinha em parte o seu bucolismo, constroi um flâneur que se movimenta entre os automóveis e os cinematógrafos movidos a eletricidade".

Finalizando, o "flâneur" é, portanto, um "modelo de atitudade congnitiva, e que tem se acentuado na mediade em que novas tecnologias vem surgindo", e não um personagem do século XIX somente.

Abraços,

Marcão.