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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Modernismo X Tradição

Enquanto labuto, desde a semana passada, para iniciar em breve mais um novo e incrível projeto de vida, que sempre almejei - e espero não ser o último - compartilho com vocês a reflexão do Alberto Barbour.

"A arquitetura modernista de linhagem niemeyer-corbusiana tem mais em comum do que a paleta albina de cores e o solene desprezo pelo entorno; tem o mesmo e declarado objetivo: abrir os cotovelos sobre a vizinhança e assim reivindicar um lugar de destaque no yearbook da história.

Claro que existiram – e vá lá, ainda existem- casos em que a estratégia traz resultados expressivos, nem carecemos de citações. Mas sempre ao custo dessa moral de tabula rasa, literal ou imaginária dá sustentação ao vôo do pavão.

É o caso de lembrar que quando o modernismo não era apenas um estilo, era uma ideologia totalitária. “Existem as nossas pontes, e as deles; existem as nossas catedrais, e as deles.” A pérola de humildade é de Lênin, mas poderia muito bem ser do jovem Corbu, ou do, huh, perene Niemeyer.

G.K. Chesterton dizia que a tradição é uma extensão da democracia. É o direito de voto dos mortos, que afinal, ajudaram a construir o presente. O modernismo cancelou o direito de voto de todo esse eleitorado em nome de sua revolução estética. Já Lênin e Stalin, bem, vocês sabem a história.

Tudo isso para fechar o comentário com a seguinte questão: quão democrático o modernismo se tornou ao longo do tempo? Ele já aceita debater com a tradição ou há algo inerentemente autoritário em sua estética?

Não é uma questão de resultado, repito, mas de postura. Quem enche a boca para dizer que fez algo como “nunca antes nesse país”, ou nesse planeta, ou nesse bairro, poderia ao menos se lembrar de perguntar se não havia uma boa razão para que certas coisas não tenham sequer a chance de ser testadas".

2 comentários:

Alberto disse...

Marcão, vaeu mais uma vez pela referência!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão disse...

Adorei o texto. Concordo com você e com alguns comentários.

É um assunto interessante e instigador. Os mais de 50 comentários no seu blog provam isso.

Abraços,

Marcão.