Pesquisar no blog

sábado, 25 de outubro de 2008

Recuperação de córregos canalizados

Entre os dias 8 e 10 de setembro de 2008, ocorreu em Belo Horizonte o 1º Seminário Internacional sobre Revitalização de Rios.

Organizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com o Projeto Manuelzão da UFMG, o seminário contou com a participação do urbanista Keeyeon Keith Hwang.

Hwang foi o responsável pelo projeto de revitalização do córrego Cheonggyecheon localizado no centro da capital da Córea do Sul, Seul, em 1999. O filme abaixo mostra como foi a revitalização.

Em entrevista concedida ao Projeto Manuelzão, Hwang afirma que teve apoio de mais de 80% da população e que foram apresentados estudos sócio econômicos para a realização da obra. Tais estudos foram necessários não só por ser uma determinação legal, mas também para apontar uma solução aos comerciantes que teriam que fechar as lojas definitivamente.

Segundo o urbanista, depois de pronta a revitalização do córrego, constatou-se que a qualidade do ar da região aumentou, o trânsito melhorou consideravelmente e água tratada permitiu a retomada de organismos aquáticos. Além do fato de que a temperatura na região do córrego diminuiu 3º C.

Ainda bem que esse Seminário ocorreu em Belo Horizonte, onde recentemente cobriram o Rio Arrudas e construiram quase 10 viadutos. Visite a "Linha Verde" para ver.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cidades brasileiras estão entre as mais desiguais

Eleições municipais chegando ao fim. O que de concreto foi feito no seu município em se tratando de políticas públicas urbana? E as expectativa para o próximo mandato?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Urbanismo em fim de linha?

A revista AU desse mês questiona se os prefeitos discutiram planejamento urbano em suas campanhas eleitorais. Aqui em Belo Horizonte a preocupação geral foi e é com o trânsito.

Diante disso, compartilho, para reflexão, um poema sobre arquitetura e um texto que fala sobre o Alphaville paulistano.

Estamos, nas palavras de Otília Arantes, em fim de linha?


Fábula de um Arquiteto

1.

A arquitetura como construir portas
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar, luz, razão certa.

2.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até refechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

João Cabral de Melo Neto


The Dystopia: Alphaville, Sao Paulo, Brazil

A housing community has to be equal parts elitist and oblivious to take its name from a dystopic film. I first read about this on Ballardian, appropriately as Ballard has long championed Godard’s film. This Alphaville is a walled city in the world’s fourth-largest metropolis. Hundreds of residents helicopter in and out over electric fences. Over a thousand security guards are employed. Residents watch “TV Alphaville,” a twenty -four hour monitor of people entering and exiting the premises. The reason for Alphaville’s militarized facility is clear: income disparity. From a 2002 Washington Post article: “the richest 10 percent of the population controlling more than 50 percent of the wealth, while the poorest 10 percent control less than 1 percent.” The article also explains Brazil’s $2 billion-a-year security industry. “Brazilians are armoring and bulletproofing an estimated 4,000 cars a year, twice as many as in Colombia, which is in the midst of a 38-year-old civil war. Joanne McNeil

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

M-City

Recebi essa dica do pessoal da lista de arquitetura e urbanismo e compartilho aqui para começar a semana bem.

Trata-se do projeto polonês M-City. Esse projeto recria com stencils cidades tridimensionais em murais, stickers, instalações, como uma versão real do jogo SimCity.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Na era das demolições





Essas fotos são do projeto do Éolo Maia para o anexo do prédio de Ciências Biológicas da PUC Minas Coração Eucarístico. O paisagismo é da Jô Vasconcelos. Mais informações visite o site www.eolojo.com.br.

Pode-se observar pelas fotos que foi instalado em frente à obra um trailer-lanchonete que por óbvio não foi projetado pelo eminente arquiteto.

Sendo assim, proponho a demolição do anexo, ou seja, do prédio do Éolo.

Sim, porque quem permitiu a instalação daquele trailer-lanchonete não merece ter a arquitetura do anexo.

Ao menos que algum arquiteto projete uma lanchonete digna do lugar. Por que não fazer um concurso na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC?

O fato é que aquele trailer-lanchonete é sem comentários.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Espaços Públicos



A reportagem acima afirma que americanos chegaram a pesquisar o fenômeno que torna os jovens mais parados conforme a idade vai aumentando. Os cientistas descobriram que aos 9 anos as crianças se movimentam quatro vezes mais que aos 15.

O reporte diz que "a vida nas grandes cidades também vai tornando lento o dia-a-dia das crianças. A garotada da periferia do Rio de Janeiro tenta brincar na rua. O espaço de lazer é mínimo, os carros passam de dez em dez segundos. Quem é que consegue brincar assim?"

As nossas cidades possuem espaços públicos que permitem a apropriação deles para o lazer?

sábado, 11 de outubro de 2008

Niemeyer na Argentina

O arquiteto Oscar Niemeyer projetará sua primeira obra na Argentina, para a cidade de Rosário (300 km ao norte), onde será contruído o Porto da Música, complexo cultural com auditório, salas de exposições, escola e local para espetáculos.

O Porto da Música ocupará um prédio de três hectares em frente ao rio Paraná, e terá auditório coberto para 2, 2 mil pessoas e uma área aberta para espetáculos com capacidade para 25 mil espectadores.

Mais do mesmo?

A importância de preservar o patrimônio histórico

E por falar em demolição... Desrespeitou a lei, tem que demolir. Por que não?


Arquitetos participam da Bienal de Veneza e de exposição em Paris

Saiu na Revista AU, mas vale a pena também ver o vídeo.

Acha que é para poucos? Como disse Jaime Lerner, o arquiteto tem a vantagem de propor algo que mesmo não sendo construído, é bem realista no "papel". Vamos propor.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Projet in Situ - Mais que uma dança, uma arquitetura





O Projet in Situ, criado em 1999 pelo canadense Martin Chaput e pelo francês Martial Chazallon com o objetivo de provocar um novo "olhar" sobre nós mesmos, os outros e o espaço que ocupamos no mundo.

A Bienal de Lyon, que já dedicou muitas de suas edições às diferentes regiões do globo, agora trabalhou sob um tema mais amplo, a memória. "A pergunta que todos os grupos convidados deveriam se fazer foi essa: como é possível realizar um novo trabalho, sem esquecer o passado, a história, a memória?" Esse ano, para responder a pergunta, a companhia apresentou a criação "Do You See What I Mean?".

O "Do You See What I Mean?" consiste em uma caminhada às cegas. A pessoa, de olhos vendados, é guiada por um membro da trupe pelas ruas. Em determinado momento, o guia pode ser trocado por um cego.

Não é uma caminhada silenciosa. A dupla conversa, o guia pergunta sobre as sensações, sobre o que a pessoa achou do cheiro, do barulho, das pessoas. E o guia, baseando-se inclusive no diálogo, transporta as pessoas pela cidade, entrando em lugares, casas, estabelecimentos comerciais, museus.

Depois de algum tempo, a pessoa vendada entra em um ambiente fechado e lá um dançarino a conduz ao som de música. A experiência dura 2h30.

Deve ser uma experiência incrível, onde sentimos o lugar, percebemos as necessidades do corpo. E, ao final, poderemos perceber que nada foi projetado-planejado para o corpo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

20 Anos de Constituição Federal

Domingo, 5 de outubro de 2008, dia de eleições municipais, o país também comemora 20 anos de promulgação da Constituição Federal.

Com quase 100 artigos e mais de 50 emendas, temos o que comemorar?

Só para ficar nas eleições, compartilho essas migalhas do Migalhas.com:

"Se os habitantes da cidade são de bons costumes, creio que estão magnificamente defendidos. Plauto

De novo o paternalismo inoportuno. O TSE decidiu agora que os eleitores não poderão entrar na cabine de votação com celulares, máquinas fotográficas ou filmadoras. "Esta providência concretiza a vontade da Constituição, que é de assegurar o sigilo e o segredo do voto," disse o ministro Carlos Ayres Britto. Esqueceu-se, S. Exa., que o sigilo é para o leitor, que pode, muito bem, dizer em quem votou. Ou seja, ele pode violar seu próprio sigilo. A pergunta que fica é : vai ter mesário fazendo revista pessoal no eleitor ? Que tal um detector de metal, ou uma das agradáveis portas-giratórias de bancos ?

A propósito, seria tão bonito se no domingo, aniversário da Constituição, tivéssemos aquela festa nas ruas, com campanhas e tudo mais. Hoje, em dia, a pretexto de tornar o processo eleitoral mais não sei o quê, acabou-se com a festa democrática que enfeitava as cidades. E a papelada que era jogada nas ruas, coisa que durava um dia só, era um sinal de que a democracia pulsava. Hoje, dia de eleição parece dia de Finados. E aqui, entre um e outro, ficamos com Finados, pois visitar os mortos é a garantia de que estamos vivos." Errou na justificativa o Ministro.

Mas fazendo um gancho com a arquitetura, tem gente que é a favor de leis que regulem fachadas.

Quando há muitas leis que regulam exarcebadamente a vida, é sinal de que os cidadãos desrespeitam acintosamente as leis.

Se respeitássemos ao menos os princípios, não necessitaríamos tanto de leis.

sábado, 4 de outubro de 2008

Demolir para evoluir

Alberto, Alencastro e Fernando Lara estão falando sobre a possibilidade do arquiteto demolir para construir. Essa discussão está suscitando mudanças de paradigmas, não só na prática da arquitetura mas no ensino.

Abaixo, minha opinião.

Em postagens anteriores, falei da importância do arquiteto reciclar e utilizar materiais de demolição para a construção de um novo projeto. E não só isso, disse que seria ótimo que o arquiteto soubesse um pouco de economia para calcular as curvas de eficiência para justificar o investimento na utilização de materiais e tecnologias mais caras mas sustentáveis, como por exemplo, a construção de captadores de água de chuva.

Claro que deve-se demolir para construir algo não só movido pelo capricho ou pela especulação do proprietário, mas também para impactar menos o ambiente, respeitar a legislação e construir algo arquiteturalmente bem feito.

Em Belo Horizonte deve existir menos de 20% das edificações de 40, 50 anos atrás. É natural que as coisas renovem. Não só por questões de técnicas e materiais, mas estéticos. Apoio isso. Mas apoio, também, a preservação criteriosa de algumas construções.

Por que não demolir edificações que se agigantam atrás de imóveis tombados em total desacordo com a legislação e construir algo melhor legalmente e arquiteturalmente??? A Praça da Liberdade em Belo Horizonte é cheia dessas monstruosidades. E se não tomarmos cuidado, a Pampulha será engolida por prédios.

De fato, o debate é válido e deve-se pensar nisso. Demolir para construir e saber reaproveitar o entulho de maneira econômica e ambiental é de suma importância.